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sábado, 19 de dezembro de 2009

Carta a um amigo doente

Caro amigo
… não estranhes esta carta inesperada, as razões são muitas, mas a primeira deriva de te saber a penar pelo vale das sombras sem saúde - a que nos possibilita vencer! Ora bem, admitamos que sei o bastante do teu debilitado estado para te ajudar. Do que perguntei e tentei saber acerca de ti disseram-me que estavas a lutar com uma depressão – que possivelmente andas a ser medicado – e que por isso estás como um navio parado no estaleiro para conserto – de navios pouco sei – mas sei muito sobre depressões… e é este saber que quero transmitir-te para que o uses em teu benefício… há depressões que vão e há depressões que vêm… são assim como os pensamentos que pensamos quando estamos sós no silêncio da noite horizontal… ora como eu sei que são os pensamentos a matéria prima das depressões eu aconselho-te a que não penses… não deve ser fácil para ti… os grandes pensadores pensam… e o que é pensar? – vou-te explicar com as minhas palavras… pensar é estar sem estar… ou seja é não estar na acção do presente… é teres o teu corpo aqui e a tua mente lá longe no passado ou então algures num futuro longínquo… por isso traz-te para o presente para o aqui e o agora onde é saudável estar! – falar é exactamente isso, é o aqui e o agora! por isso amigo aproxima-te das pessoas que sentes que te entenderão e fala-lhes, mesmo que te seja difícil achar assunto – diz-lhes qualquer coisa! – a palavra te salvará – e não só a palavra, o movimento – move-te amigo – não receies nada, sai de casa, vem ter com os teus amigos, que são mais do que os que tu contas! – tenho a certeza que não tens razão alguma para sentires vergonha de te apresentares doente – sabias que se aparecesses em minha casa mesmo para me dares uma grande coça no Xadrez me encherias de satisfação – pergunta ao Rudolfo quantas vezes eu já fui a casa dele – inúmeras e pensas que me fez mal visitar o nosso amigo Rudolfo? – pelo contrário! – fui a casa dele para não me deixar ir para o passado para a alienação do medo… e falei e ele ouviu-me…
Sei que sentes medo - eu conheço por experiência própria a depressão, ela é essencialmente o medo na sua face mais cruel! bloqueia-nos e paralisa-nos! corta-nos os elos com o nosso próprio ser! – por isso amigo sai mais vezes de casa gasta mais dinheiro a telefonar para combinar e falar com os teus amigos – vem a minha casa ou a casa de qualquer um dos teus amigos ensinar-lhes um pouco do teu saber – o xadrez salva! –
mas olha amigo – todos os teus medos não passam de sombras e fantasmas… que te atacam… olha amigo sai à rua e muda de estratégia… estás a jogar contra essas sombras e fantasmas à defesa… se fosse a ti jogava ao ataque!... age! Sê agressivo contra a tua fraqueza… levanta-te da cama cedo, mesmo que não tenhas ideias do que fazer, toma um banho e telefona aos teus amigos e passa o tempo com eles, e só regresses a casa tarde quando não aguentares de cansado! e vais ver que depressa largas a medicação e voltas a subir ao ringue para mais um combate! –
sai da concha, deixa o covil e a toca, a vida é cá fora!!! - inicia-te no que nunca fizeste – um ginásio por exemplo – descobre coisas novas – vai ver o AVATAR – vem conhecer o meu bairro – vê os filmes que te dei – 2 – eu sei perfeitamente o que se sofre com uma depressão – por isso ataca! ATACA!... o homem é a guerra!
e fala! Fala! verbaliza os teus medos! e eles te deixarão em paz!
Vou-te deixar com o que li na parede da garagem do meu mecânico, julgo que foi escrito por um emigrante brasileiro que veio ganhar a vida para este Portugal cruel
- quando um homem perde os seus bens, perde muito
- quando perde um amigo, perde mais
- quando perde a coragem, perde tudo!

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