Translate
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
no trem
achei-a atrevida logo à primeira impressão pela exuberante grandiosidade estética das curvas das suas pernas - nuas e totalmente descobertas até à mini-saia branca - todos os presentes haviam pregado nelas o olhar - eu pelo contrário mostrava total indiferença - entretanto o comboio proveniente de Madrid chegou à estação e depois de alguns passageiros saírem todos nós entrámos a correr para nos sentarmos nos lugares vagos - a minha preferência não era um qualquer lugar vago - não foi por acaso que me sentei ao lado do alvo da minha falsa indiferença - olhava para ela e estudava pela posição do seu corpo se estaria interessada na minha pessoa - se me desejaria conhecer - as pernas viradas para o lado oposto ao meu, diziam-me que não - esperava que ela me olhasse - mas nada - eram ainda seis da manhã - vi fechar-se-lhe os olhos - bocejar umas ou duas vezes e depois adormecer - se eu pudesse acordá-la, pensava eu - as minhas mãos estavam quentes - ela nem as sentiria - mas minutos depois porque também o meu sono fosse muito, não obstante o prazer de olhar-lhe para as pernas, contrariado adormeci profundamente - acordámos uma hora depois sobressaltados lado a lado com o solavanco dado pela energia contida nas suspensões do comboio proveniente de Madrid depois de haver freado na estação de Lisboa-Oriente - olhamos um para o outro e eu disse-lhe: Agora já não pode dizer que nunca dormiu comigo.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Naturalismo... ou simplesmente a "naturalidade" da "natureza"? (a pobreza do vocabulário é essencial para a ênfase)
ResponderEliminarQue situação rica de diálogos mudos e danças paralisadas... sim, porque não fosse pelo trem e seu epifânico solavanco, o final não teria sido tão audacioso e sensualmente cômico!
Uma pimentinha no meio de um ingênuo doce é assim que eu entendo a cena... e, mais uma vez, não há inocentes, maaaaaaas a mais criminosa das personagens: a mini-saia branca!!! Eu exclamo: Graças aos céus que ela preferiu tal peça a uma calça jeans, por exemplo!!! (ou não teríamos o texto)
Tudo acontece em torno da impiedosa peça... pobre gajo, imagino o seu sofrimento em ver tal quadro!!! O fato é que a bendita saia rouba a cena, a atenção dos figurantes, maaaas não o sono do autor... ainda bem!!! Se não fosse o sono, a última frase não teria sido concebida e proferida de modo tão natural! Fico-me imaginando... qual seria a minha reação ao ouvir algo parecido?...enfim, mas isso não importa.
A dona da saia "infame" parece não ver nada, não sentir o que se passa, maaaaas silenciosamente ela sabe e cala. Enquanto ela permanecesse alheia, a situação estaria sob o seu mudo e descontente controle. Assim, ela faz o que lhe cabe, porque "enquanto não houver perguntas não haverá respostas" e dentro de si, sequer um sinal ela revela... mas a falta dele não deixa de ser outro sinal cujo significado apenas ela sabe.
Gostei do "duelo" (quase uma tourada sem sangue ou olé!)... ele finge desdenhar, não a vê... ele não a desdenha mais, aproxima-se para, mais uma vez, simular um desinteresse e talvez assim na sua ausência ela se fizesse presente... "vil comédia do amor"...ela (talvez,apenas) finja não perceber a intenção da admiração... ela recusa retribuir o olhar, ela não está lá... mas ela chega... sim, ela chega quando ele se acomoda mais perto, ela acorda-se quando dorme(com total certeza)... enquanto ele sucumbe ao cansaço para enfim despertar no sono dela.
Bendito solavanco!!! (poderia ser o momento do olé???)
Apenas ele consegue lhes abrir os olhos... penso que, às vezes, a vida precise de, pelo menos, um solavanco... para que uma frase audaciosa germine alguma semente...
Devaneios de quem se recusa a ver o que os olhos mostram... assim eu não vejo, apenas sinto...
Interessante!!!! Já me vi numa situação parecida. De volta do Colégio para casa, dentro de um ônibus...
ResponderEliminar